CATATAU
FRANCISCA CARVALHO
Text by Gabriel Barbi
QUIPROQUÓ LÍNGUA FRANCA CARTA BRANCA IMAGEM AMPLIADA SOPA DE LEGUMES RECEITA
Ruibarbo. Chantilly. Evocação. Fotograma 1. Ré. Poltrona de orelhas. Derrubando árvores. Proto escultura e sopa de favas. Ver filme. Modern Art in Your Life. Artichoke. Mitocôndria. Sand. Caldo verde. Praia. Fato de Banho. Fala-me de amor. Mata-me de rir. Franca Francisca. Francisca Francesa. Punhetas de Bacalhau. Moelas Espirituais. Túbaros. Rojões. Pipis. Leguminosas articuladas. Tipuana tipu. Fava rica. Glow in the dark. Ovos moles. Evocação 2. Prêche aux oiseaux. Dagobert Peche. Pêche, péché. Zucchini flowers. Zona Franca. Handelssprache. Alambique. Gota-a-gota até encher o pote. Canto da cigarra. Duplos duplicados. Oros. Stuffed. Vazio agudo. Pernilongo. Cheio de tudo. Arte que choca. Vida cigana. Artéria barroca. Pé de Coentrada. Bookkeeping. Kinder dieser Welt. Weltansichten. Bilddokumentation. Massa. Pepino às rodelas. Vem dançar dans mes bras. Vem me dizer onde é que está. Franzida. Já é madrugada, acorda, acorda, acorda. Acácias. Perna-candeeiro. Braço de Prata. O preso na cappella Brancacci. Quinta da Capella. Casa Barroca. Solares Portugueses. Anacrónica. A do Ó. Sopa de Pepino. Gases. Gillenia trifoliata. Parthenocissus quinquefolia. Tota trinitas apparuit. Influência de Jackson. Vozes, vocês! Evoé. Touché. Petit touche. Tocha acesa. A figura é figurada. Enfrescado. Sobretudo não existe hesitar. Monolonge. Guerra na cor, cerimônia no perfume. Incutida. Carne de alguidar. Matemática. Fotograma. Um A no esmo. Cabocla. Gladsome light. Opus 26. Falanges. Ego-trip. Ilusionismo solipsista. Salaz. Soll und Haben. Desbestificados. Débauche. Letra D. Causa perdida. Zenão e o Zénite. Dispensado. Não discutir com o comandante. Find selection. Leros e lórios. Minimal Maximal. Sem nexo. Xeno e as sombras no asfalto. Bolachas russas. La vie en close. Caprixos & Relaxos. Quarenta clics. Concretismo. Nota vegetal. Ensaio sobre a puberdade. Tradução comentada. Versão Brasileira. TV Mirim. TV Glotzer. Erudição ostentosa. Real edifício de Mafra. Índias ocidentais. Ouro do Brasil. Shwayngway. Ostras. Flecha no calcanhar. Susto no lugar. Historia naturalis. Requiem. Vivia quando nasceu. Mamas e milénios. Capybara. Já viu a flora daquilo? Araponga. Vara de pescar. Welttheater. A rã que ri. Texto gratinado. Luz de pirilampo. Quattrocento. Gravita entre cravos. Banda desenhada. SOBEM QUE LEMBRAVAM ESTRELAS. Seis lumes. Chinese eyes. Ceiba speciosa. Eutrochium maculatum. Mel com trufas. Fio de cabelo ao lado do rio. Esta lente me veda vendo, me vela, me desvenda, me venda, me revela. Ver é uma fábula, é para não ver que estou vendo. Agora estou vendo onde fui parar. Eu vejo longe. Pensamento me deu um susto, nó górdio na cabeça, que fome! Claras em castelo. Tudo dito. Nada feito. Fita e deita.
Gabriel Barbi
POJECT SPACE
comércio de peixe fresco
JOÃO JACINTO
Curated by Sara & André
O João fuma charutos desde 1992. Um por dia a seguir ao almoço. Por vezes também a seguir ao jantar. Os melhores charutos vêm de Cuba e há marcas para todos os preços. Depois da revolução cubana (de 1959), com a nacionalização de todas as fábricas, muitos dos seus antigos proprietários partiram para países vizinhos como a República Dominicana ou a Nicarágua e, com esse movimento, muitos dos melhores enroladores de charutos emigraram também. Há no entanto algo especial na planta cubana, fruto do clima e/ou do trabalho continuado durante séculos por gerações e gerações de plantadores e, com o embargo económico norte americano imposto em 1962, a mística dos charutos cubanos consolidou-se consideravelmente, tornando-os mais desejados que nunca. Nos últimos anos a Ásia e em particular, a China, tornaram-se os maiores consumidores de habanos, levando inclusivamente a que haja alguma escassez no mercado europeu e, por conseguinte, também no lisboeta. Cada quinta feira, quando chega uma nova remessa diretamente de Cuba à Casa Havaneza, é quase certo que apareça um comprador oriental tentando adquirir a maior quantidade possível, para posteriormente especular no mercado chinês, no qual certas marcas chegam a ser vendidas por 10 vezes o preço. Apesar de tudo o João vai conseguindo manter o seu hábito, seja através de reservas, de uma ou outra caixa que fica “esquecida” ou guardada debaixo do balcão para clientes habituais ou ainda, experimentando charutos de marcas ou origens menos conhecidas. E assim sabemos que certamente irá prosseguir por algum tempo mais a produção destas preciosas pinturas, das quais hoje podemos fruir 45 exemplares.
Sara & André